terça-feira, 10 de maio de 2011

Ruas de Palmares-PE, Totalmente Inundadas!!

DESABAFO DE QUEM VIVE O DRAMA DE PERTO

PALMARES, Os Carros mal Passam nas Ruas!

Cadê as ações preventivas da prefeitura?
cadê as informações do governo estadual?
cadê a ajuda do governo federal?

só porque moramos em interior devemos ser esquecidos?
as autoridades deviam tomar posse disso, pois diante de tudo, não temos uma resposta certa e breve.
só lamento ao governo, que diante de tudo isso não impõe nada,ABSOLUTAMENTE NADA!.
promessas?
vamos viver de promessas para o resto da vida?
a quem vocês pensam que estão enganando?
pois é, enquanto um que está no meio deles não quer tomar nenhuma atitude, nós mesmos, o POVO, tentamos tomar as nossas...
chega de destruição, sofrimento e dor!
coisa que seriam tão fáceis de serem resolvidas, acabam tornando-se CATASTROFES, graças aos politicos que não resolvem nada.
(Heitor Vasconcelos / Palmares - PE)





Imagens do Correspondente: Heitor Vasconcelos, Palmares - PE
OUTRAS NOTÍCIAS DAS ENCHENTES NO PERNAMBUCO


pela frente. Um deles tomou um lado da pista.


Uma barreira que caiu está interditando o acesso a comunidades como Tabaiaré, Jardim, Buriti e Bomboréu. Nenhum tipo de veículo passa, só pessoas e mesmo assim, o caminho não é fácil, a lama chega até o joelho.

No Engenho Ousadia, o problema é a água. O nível do riacho de São José subiu. Apesar de estreito, o manancial é fundo. Várias casas estão isoladas.

O principal problema causado pelas enchentes nas áreas rurais de Pernambuco é a falta de acesso. Nenhum tipo de veículo consegue trafegar pelas estradas e muitas pontes foram destruídas. Ainda não se tem ideia de quantas comunidades rurais estão isoladas no estado.

Arilson Ramos, secretário de Agricultura de Pernambuco, explica que somente a defesa civil tem acesso às comunidades, assentamentos e engenhos por vias aéreas ou barcos. Um plano de alcance será traçado ainda nesta segunda (09). Em relação às perdas de cana, um orçamento financeiro já foi liberado para a reconstrução dos hectares que foram perdidos. Assista ao vídeo com a reportagem completa e saiba como vai funcionar o plano de recuperação das pontes e acessos afetados e o que está sendo feito de imediato que socorrem a população

FONTE: G1 GLOBO

sexta-feira, 6 de maio de 2011

ARTIGO SOBRE JOANA E RONALDO - POR ARISTÓBULO LIMA

Joana e Ronaldo - Por Aristóbulo LIma

Fonte do da notícia : http://passadocontinuo.blogspot.com/

Nestes dias em que a regra é sempre o “primeiro eu, o resto que se exploda”, onde o egoísmo e a ganância imperam e o cruel jogo da sobrevivência nos impele a passar por cima uns dos outros em nome do êxito e riqueza pessoal, é difícil crer que ainda possa existir um altruísmo autêntico e verdadeiro.
Também pudera, tantos e tantos casos de pseudo-filantropos que se aproveitam da generosidade alheia e até de fundos governamentais para locupletar os próprios bolsos nos fazem ficar “cabreiro” ante qualquer demonstração do que será algo verdadeiramente pensado para o próximo.
Mas não podemos perder a esperança e SIM o verdadeiro trabalho altruísta, pensado, gerido e voltado para o próximo, para os menos validos na vida, em detrimento do enriquecimento pessoal, existe e pode ser encontrado bem perto da gente.
Dois estados tão distintos e tão distantes um do outro neste nosso continental país. Rio Grande do Sul e Rio Grande do Norte, o Brasil se encontra na solidariedade, através da ação de um jovem casal, ele, um gaucho, Ronaldo Henzel, ela uma potiguar, currais-novense por sinal, Joana Darc, a primeira vista um casal como outro qualquer, gente de classe média, poderia se passar por um casal de profissionais liberais, comerciantes, funcionários públicos etc., mas não, eles exercem um dos mais nobres trabalhos filantrópicos, através da ONG Pão é Vida.
Quem não conhece o trabalho da ONG (Organização Não-Governamental) Pão é Vida, deveria conhecer. *Eles escolheram como meio de vida desenvolver uma ação de inclusão social, fundado no trabalho voluntário e sem qualquer vinculação com órgãos públicos instituições ou igrejas, dentro de um velho ônibus Marcopolo II, eles peregrinam entre cidades do alto sertão de Pernambuco e Alagoas, uma das regiões mais sensíveis, para não dizer miseráveis, do país, levando muito além de um assistencialismo barato, mas sim profissionalização, capacitação profissional, oficina de leitura, assistência médica, tudo isto sem custo algum às comunidades.
Atualmente eles estão baseados na cidade de Santa Cruz do Capibaribe, Pernambuco, cidade conhecida não só pelas suas confecções, mas também pela sua incomum violência urbana.
É fácil criticar o estado por não estar presente nas comunidades mais desvalidas do país o difícil é arregaçar as mangas e buscar preencher os espaços vazios deixados por este estado ausente. E isto Ronaldo e Joana fazem.
Nesse mundo em que a ascensão social e o enriquecimento, ou tentativa de enriquecimento, a todo custo são uma regra, uma maldita regra que se impele passar uns por cima dos outros, lagar tudo, todas as regras deste jogo infame chega a beirar as fronteiras do absurdo. Absurdo?! Absurdo seria não pensar no próximo.

* Observação: Ao fundar a ONG Pão é Vida de fato, não havia nenhuma instituição governamental ou eclesiástica comprometida em nós ajudar financeiramente, foi assim que tudo começou; com amor, fé e coragem
Hoje como Pastor Batista, Ronaldo está a frente da PIB S.C.C, no entanto, continua dependendo de contribuições voluntárias para realizar o trabalho da ONG Pão é Vida

terça-feira, 3 de maio de 2011

POPULAÇÃO EVANGÉLICA NO BRASIL ATINGIRÁ 57,4 MILHÕES EM 2011, NÃO É AVIVAMENTO, DIZ MISSIONÁRIO DA SEPAL

Missionário da SEPAL fez a projeção da população evangélica de 57,4 milhões para este ano de 2011 e 109,3 milhões para 2020, e diz que as razões para o grande crescimento não se trata de avivamento.

Luis André Bruneto, um dos pesquisadores da SEPAL, Mi

ssão Internacional Servindo aos Pastores e Líderes que realiza estudos teológicos, falou ao The Christian Post sobre as projeções da população evangélica para os próximos anos e as possíveis razões que explicam fenômeno do rápido crescimento da população evangélica no Brasil.

A SEPAL realizou um estudo ano passado, baseado nos dados do Censo do IBGE de 2000 e da pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em março de 2007, encontrando que em 2020 a população evangélica representará mais de 50% da população brasileira.
“Projetamos uma porcentagem de cerca de 52,2% da população evangélica em 2020, ou seja, aproximadamente 109,3 milhões de evangélicos para uma população de 209,3 milhões,” afirmou Luis.
A projeção baseia-se na taxa de crescimento obtida entre os anos de 1990 e 2000 e na premissa de que a taxa de crescimento dessa religião continue a mesma dos últimos 40 anos.
A confiabilidade dos dados é de 95%, afirmou Luis.
Segundo ele, seguindo essa taxa de crescimento anual de 7,42%,, ele informou que para o ano de 2011, chegaremos a 57,4 milhões de evangélicos.
A revista ÉPOCA também divulgou no ano de 2010
estudos sobre o crescimento da população evangélica, avaliando que os evangélicos
influenciariam em todas as esferas da vida brasileira.
Para teólogos e antropólogos ouvidos por ÉPOCA, a população evangélica, a partir do crescimento numérico, contribuirá para a diminuição no consumo do álcool, o aumento da escolaridade e a diminuição no número de lares desfeitos.
Na opinião do pesquisador da SEPAL, o fenômeno do grande crescimento não se trata de avivamento. Ele acredita que o avivamento se reflete, “na conversão em massa das pessoas, mas também em profundas mudanças no pensamento da sociedade, direcionada pela influência dos cristãos redimidos.”
“Se tomarmos essas
duas linhas de pensamento, não está acontecendo um avivamento no Brasil,” afirmou.
Alguns motivos que o pesquisador lista são, “o evangelismo aguerrido dos evangélicos, a adoção de regras menos rígidas, a ampliação da visão da vida cristã para dentro da sociedade, a flexibilidade dos costumes e o aumento da classe média.”
Na região nordeste do Brasil, onde se constatou menor presença de evangélicos, o estudioso explicou os fatores de acordo com o tipo de região que ele menciona de “dois tipos de nordeste.” O tipo “A,” diz ele, com belas praias, grandes cidades, onde os evangélicos possuem um crescimento abaixo do restante do país, mas aceitável. E o outro, ele chama de tipo “B,” que é o nordeste do sertão, onde os evangélicos raramente passam de 1%.
Como fatores do baixo índice ele cita três razões.
A “primeira é a forte raiz católica romana da população, ampliada pela religiosidade sincrética mística.” Um exemplo disso é a forte adoração à ídolos católicos como padre Cícero e frei Damião, que ainda não foram canonizados pelo Vaticano.
A segunda razão se deve à dificuldade de evangelizar as cidades do interior do nordeste. “Boa parte do sertão não possui estradas asfaltadas e os d
o The Christian Postmeios de comunicação são precários,” explicou.

A terceira razão é a falta de interesse da Igreja em evangelizar esse povo carente. “Na verdade, a razão para isso é que o retorno financeiro dentro dessa realidade é mínimo, e assim, a missão não consegue se auto sustentar nem mesmo a longo prazo.


O TESOURO NA BOCA DO PEIXE

Mateus 17.24-27 - E, chegando eles a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que cobravam as dracmas, e disseram: O vosso mestre não paga as dracmas?

Disse ele: Sim. E, entrando em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra os tributos, ou o censo? Dos seus filhos, ou dos alheios?

Disse-lhe Pedro: Dos alheios. Disse-lhe Jesus: Logo, estão livres os filhos.

Mas, para que os não escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, tira o primeiro peixe que subir, e abrindo-lhe a boca, encontrarás um estáter; toma-o, e dá-o por mim e por ti.

Como já havia ocorrido outras vezes, Jesus deu uma instrução muito estranha a Pedro, mandando-o ir ao mar, lançar o anzol, tirar o primeiro peixe que subisse, abrir a sua boca e pegar nele um dinheiro – Mat. 17.27:

Você já parou para pensar que por mais que Pedro tivesse experiências com as operações de maravilhas que Jesus fazia, com certeza ele achou essa orientação muito esquisita? Como sempre, Jesus estava ensinando alguma coisa importante aos seus discípulos, e desta feita Ele estava revelando a Pedro, que apesar de ser o dono do dinheiro, o dinheiro não estava com Ele:

• Jesus apontou para o lugar vivo onde o dinheiro se encontrava e se movia;

O dinheiro estava lá, na boca do peixe, que precisava ser pescado para que o dinheiro aparecesse. Das nossas atitudes e disposição de ânimo, dependem muitas coisas, inclusive o nosso sucesso ou o nosso fracasso.

Neste texto bíblico, Jesus se posicionou diante dos impostos a serem pagos, que eram distintos dos dízimos e das ofertas. Pedro sentiu-se cobrado a pagar os impostos e foi falar com o Mestre, num sentido de reclamação.

Há muita cobrança no meio do povo de Deus, em todos os sentidos, e muitos crentes, infelizmente, se colocam no papel de cobradores. Outros mais incautos espiritualizam tudo, inclusive os bens, obviamente materiais, necessários ao funcionamento da igreja: Dizem que não há necessidade de construções nem de investimentos, porque tudo ficará para o anticristo; Esquecem-se de espiritualizar suas casas, os carros, os dólares, e tudo o mais de bom que possuem;

O que de fato querem dizer é:

“A mim, todos os tesouros; a Deus, sobras e misérias”.

Podemos adequar uma fala às suas ações:

• “Sou um peixe com um tesouro na boca, mas não abro a boca de jeito nenhum”.

A PRONTIDÃO DO POVO EM TRAZER OFERENDAS – Ex 35.20-2

De homens a mulheres, todos estavam no mesmo espírito e com a mesma disposição de ânimo: oferecer o que possuíam de melhor – v. 22: Você tem a mesma disposição de coração?

Eles ofereceram “oferta de ouro” ao Senhor, ou seja, as suas preciosidades;

Há crentes que trazem os seus restos e os seus “lixos” para ofertarem ao Senhor:

• As sobras da reforma da casa;

Sapato furado, roupa rasgada, geladeira quebrada, computador que não funciona, mesa quebrada ou do tempo de “Cabral”;

Há também o lixo da murmuração. Em vez de quererem ser servos, querem ser Moisés. Em vez de serem ovelhas, querem ser pastor. Em vez de liderados, querem liderar.

O povo tomado pelo espírito de sabedoria trouxe sua melhor oferta para o Senhor, porque sabia que Deus queria o melhor:

• Quando oferecemos o que há de melhor, semeamos em Deus a semente de excelente qualidade;

Portanto Deus nos dará uma colheita de excelência;

• Esta lição precisa ser praticada: quando damos o nosso melhor para Deus, Deus dá o seu melhor para nós.

As mulheres também foram impactadas pelo poder da Palavra proferida por Moisés e os seus corações se moveram pelo espírito de sabedoria. Elas se recusaram a ficar fora desse grande projeto de Deus, e mostraram que também podiam ser “peixes com tesouros na boca” – v. 25,26: Colocaram as suas mãos e os seus talentos a serviço de Deus;

A Casa de Deus precisa de mulheres assim; Nos dias de hoje as mulheres têm grandes oportunidades de ocuparem os espaços que Deus lhes têm destinado, não somente nos segmentos pessoais, profissionais, mas também ministeriais;

O momento é oportuno para as mulheres colocarem as suas mãos a serviço do Rei e demonstrarem que também são “peixes com tesouros na boca”, numa forte declaração de que também desejam ser participantes da Obra do Senhor;

É tempo de mulheres sábias e não de mulheres linguarudas, fofoqueiras, intrigueiras, medíocres, “Maria vai com as outras”;

• Infelizmente tem muito homem que se parece com este tipo de mulher;

Envenena-se pelo que ouve ou envenena quem o ouve;

• Não sabe guardar o coração do mal e deixa-o cheio de lixo. Coração podre e envenenado;

Você acha que Deus vai mudar os Seus planos por causa deles? As trajetórias de suas revelações seriam alteradas por causa de alguém?

• Se necessário for, Deus move qualquer um do seu lugar e coloca um outro que possui um “coração disposto”

Precisamos compreender que estamos na Terra de passagem e que somos apenas peregrinos.

Sobre a abundância Deus deseja nos estabelecer, colocar “tesouros na boca dos seus peixes”, não para que sejamos possuidores, mas mordomos dessas riquezas. Porém, Ele prova os nossos corações, para que saibamos agradá-lo com a nossa sinceridade, disponibilidade e voluntariedade – v. 15-17.

Fragmento do estudo do Pr. Josué Gomes

segunda-feira, 2 de maio de 2011

PRESIDENTE DA CONVENÇÃO BATISTA DO E. SANTO FALA SOBRE EVANGELISMO

Líder da Segunda Igreja Batista em São Mateus e presidente da Convenção Batista do Estado do Espírito Santo (CBEES), o pastor Ednan Santos Dias da Silva, descobriu sua vocação ministerial ainda na juventude. Desde então, preocupa-se em manter ativa a maior das vocações da denominação Batista: o evangelismo. Em uma conversa franca, o pastor Ednan fala sobre os rumos da denominação no Estado, a venda do Colégio Americano e da Fabavi e também sobre a polêmica envolvendo as ações da Tenda da Esperança no Estado. ( Católicos se levantaram em protesto contra a iniciativa)

O senhor nasceu em um lar cristão? Quando percebeu qual era o seu chamado?
Eu não nasci em um lar cristão, me converti aos oito anos de idade. Recebi meu chamado para o ministério ainda na adolescência, aos 17 anos. Fui para o seminário, fiz o curso de Teologia e então fui ordenado para o ministério pastoral.

E como foi o início desse seu ministério?
O meu ministério começou na Igreja Batista em Itaquari, Cariacica. O trabalho naquele lugar foi um grande aprendizado para mim, porque conseguimos alguns feitos marcantes. Uma das coisas que mais me marcou, por exemplo, foi a mudança do templo em que estávamos já havia algum tempo para uma nova casa. Conseguimos sair desse espaço antigo e nos mudarmos para um templo novo, construído pela faculdade Faesa. Em uma parceria, a faculdade ficou com nosso antigo templo, enquanto nós fomos para o templo construído por eles. Esse foi um marco no início de meu ministério. Hoje, sou pastor da Segunda Igreja Batista em São Mateus, e estou nesta função há dois anos. O trabalho que desenvolvemos é muito dinâmico, nosso ministério é dividido por áreas: temos o ministério da música, do ensino, ação social, jovem e outros que, juntos, somam o ministério geral da igreja.

Em sua opinião, existe diferença entre a pregação do Evangelho antigamente para os dias de hoje? O comprometimento dos membros e líderes com a obra do Senhor é o mesmo?
Acredito que estamos sofrendo uma mudança muito grande na postura evangélica. Estamos hoje sendo forçados a viver um Evangelho mais pragmático, voltado para os resultados, e isso tem feito com que esse Evangelho seja mais atrativo, porém mais disfarçado. Em detrimento disso, o Evangelho verdadeiro, que salva, que confronta o pecado, tem sido deixado de lado. Vemos muitas igrejas que estão deixando de lado o puro Evangelho para viver um Evangelho que não reflete o verdadeiro desejo que Jesus tem para a igreja.

O senhor falou que descobriu seu chamado ministerial aos 17 anos. Hoje vemos cada vez mais nossa juventude se perdendo em álcool, drogas e violência. A igreja está falhando?
Acredito que a falha é geral. Nós falhamos como família, como igreja, como instituição e falhamos de um ponto de vista geral, e a igreja tem que cumprir sua parte. A parte que cabe à igreja é a de contribuir para o crescimento espiritual dos jovens e adolescentes. Neste ponto, a igreja está falhando porque deixamos (e muitas igrejas fazem isso) de pregar sobre esse Evangelho que requer mudança, aquele que não deixa a pessoa da forma como ela está, um Evangelho que transforma. É por isso que o apostolo Paulo recomendou ao povo de Roma. Ele rogava aos crentes que pudessem experimentar a mudança, a transformação da nossa mente.

E dentro dessa questão de deixar de lado o Evangelho puro, o senhor acredita que a igreja também está deixando de fazer missões?
Acredito que nossos antepassados amavam mais a obra missionária. As pessoas que começaram o trabalho evangélico tinham uma consciência de que precisavam fazer algo que era o esforço sobre humano deles, mas hoje em dia nós fazemos muito pouco em relação a isso. Nossa tarefa continua a mesma: evangelizar. Cada dia mais aumenta o número de pessoas que precisam ouvir a pregação, mas nós estamos de alguma forma errando, perdendo espaço e perdemos também a paixão e o interesse pela obra missionária.

Pesquisas revelam que no Espírito Santo, em números, os batistas estão em segundo lugar, diferentemente de outros estados onde a denominação não tem um número tão expressivo de membros. A que o senhor atribui essa forte presença Batista no Estado?
Eu acredito que a denominação Batista poderia ser muito maior do que é hoje no Espírito Santo. A denominação Batista é histórica, nós estamos no Estado há mais de 100 anos e nosso desejo é vermos a obra do Evangelho sendo ainda maior, vermos a obra intensificada. Como denominação Batista, nós precisamos crescer e avançar mais. Nós temos representação em todos os municípios do nosso Estado, não existe hoje uma cidade no Espírito Santo que não tenha uma igreja Batista.

E como está a igreja Batista hoje? Quais suas perspectivas para os próximos anos?
A denominação Batista vive um momento de reflexão. Precisamos voltar os nossos olhos para a evangelização, para as pessoas que necessitam da pregação e do Evangelho integral. Nós entendemos que podemos fazer obra de ação social, transformar vidas com ensino, mas nossa função primária é a evangelização. Nossa função é mudar a pessoa pela pregação da Palavra e nós queremos voltar ao foco que anteriormente era o foco da denominação: nossos missionários, homens e mulheres que tinham em seus corações o amor e a paixão por missões. Nós queremos voltar a isso, queremos que as nossas igrejas amem missões e se apaixonem por essa obra de evangelização. Nossas metas e perspectivas giram em torno da evangelização. Queremos que as igrejas Batistas cresçam cada vez mais, que visualizem a obra missionária como algo necessário para o crescimento das igrejas e como a missão que Jesus Cristo deixou para nós. Precisamos de uma vez por todas retomar a nossa postura de uma denominação evangelizadora, de uma denominação que fala do amor de Jesus, que anuncia o evangelho de Jesus.

As mudanças na sociedade e a movimentação cultural têm modificado a forma e a administração das igrejas. Como a denominação Batista tem vivenciado e reagido a esse momento?
As mudanças tecnológicas e científicas são necessárias. Entretanto, acredito que não devemos mudar a essência do Evangelho. Não podemos, de maneira alguma, nos conformar com o mundo. A igreja, de forma geral, tem que abolir de seus arraiais tudo aquilo que diz respeito ao mundanismo, ao secularismo e tudo aquilo que tem a cara do mundo hoje. Nós devemos, de forma contundente, abolir tudo o que parece um acordo com o mundo, tudo aquilo que parece algo que distorce o que Jesus tem para a igreja. Uma das imagens que a Bíblia apresenta para a igreja é a noiva, que tem um símbolo de pureza. E a noiva para Jesus tem que estar pura, não pode se contaminar com o mundo, com as coisas que o mundo oferece.

O colégio Americano Batista, com mais de 100 anos de história, foi vendido para a Rede Doctum de ensino. Como a denominação Batista se sente perdendo um de seus principais símbolos?
Este tema me entristece. O colégio Americano e a Faculdade Batista são temas que mexem com o coração de todos os Batistas do Espírito Santo. Agora, entendemos que o momento que a denominação vive é diferenciado. O Conselho da denominação, nas últimas reuniões, entendeu que, de agora em diante, o foco da denominação deve se voltar para a evangelização. Entendemos que o ensino secular não seria mais alvo do nosso planejamento, da nossa estratégia. Nós vamos focar, de maneira definitiva, a evangelização, o crescimento das igrejas e os projetos missionários. O colégio Americano serviu durante mais de 100 anos à comunidade capixaba, por intermédio dos Batistas do Espírito Santo, mas estava deixando a essência que motivou seu início, que era a evangelização. Nós perdemos esse foco de evangelizar dentro dos colégios e isso, com certeza, fez com que perdêssemos poder, força e consequentemente chegássemos onde chegamos, que foi a desvinculação do ensino e a missão da igreja.

Mas não havia uma possibilidade de voltar com a missão inicial, sem abrir mão do colégio e da faculdade?
Analisando vários pontos estratégicos, dentre eles a questão financeira, entendemos que a melhor saída era fazer a incorporação com a Rede Doctum. E essa incorporação veio, de forma geral, levantar o nome da faculdade. E hoje não vemos a falência da faculdade e do colégio, mas sim o investimento de capital de terceiros, que chega para alavancar a instituição. Em uma análise curta e geral, a Fabavi e o colégio Batista foram salvos, mas não pela injeção de recursos da denominação Batista, mas sim por uma incorporação, uma estratégia em que nós contamos com o apoio da Doctum. A rede de ensino veio para somar forças e alavancar a instituição.

Como está sendo a relação entre a denominação Batista e a Rede Doctum? Os valores da denominação serão mantidos?
Sim. A Doctum também é uma instituição centenária de princípios cristãos, e os mesmos princípios cristãos, morais e éticos que estiveram presentes no colégio e na faculdade Batista permanecerão com a Rede Doctum. Essa é uma instituição co-irmã, com valores cristãos que vão manter a nossa postura em frente à faculdade e ao colégio. A sociedade capixaba só tem a ganhar, pois os valores que permearam a instituição continuam com a Doctum, só que, agora, com uma instituição mais consolidada, mais saneada e que tem condições de investir mais recursos, algo que nós, batistas, não podíamos fazer.

Após o processo de vendas, a Rede Doctum está honrando os termos ajustados?
Neste curto período de quatro meses de negociação, a Doctum tem seguido todos os preâmbulos e itens do nosso contrato, inclusive superando nossas expectativas. Eles estão honrando os compromissos assumidos anteriormente.

A formação de líderes sempre foi um traço muito forte da denominação Batista. Com a venda do colégio Americano Batista e da Fabavi, como fica a situação do Centro de Educação Teológica Batista no Estado (Cetebes)? A denominação pretende investir nesse braço de formação?
O Cetebes, que é o nosso seminário, continua sendo nosso ponto principal. Queremos investir em liderança. Se queremos crescer e evangelizar, precisamos investir em líderes. E o Cetebes continua sendo prioridade para nós. Com a perda do foco no ensino secular, nós estamos voltando nossos olhos definitivamente para o ensino teológico, para a preparação de pastores, de líderes. Queremos investir pesado na formação de pastores, na capacitação de obreiros e na preparação de líderes locais para as igrejas, não só na formação teológica, mas na formação de liderança nas igrejas locais. Queremos que o Cetebes seja referência em formação integral, e não só formação teológica.

Recentemente, notícias sobre a realização do projeto Tenda da Esperança, inédito no Espírito Santo, geraram grande polêmica. Porque o senhor acredita que isso aconteceu?
Creio que foi por uma interpretação errada do objetivo geral do projeto. Nosso desejo é levar esperança às pessoas e nosso desejo maior é que elas conheçam Jesus através desse trabalho da Tenda da Esperança. O entendimento errado e a falta de compreensão do objetivo desse projeto fizeram com que esse embaraço acontecesse. Nós não temos o objetivo de confrontar, não temos o objetivo de baderna ou de afronta, mas sim o de levar uma mensagem de paz e de esperança a qualquer pessoa. Acredito que existam pessoas nas igrejas Batistas que precisam ser evangelizadas. Da mesma forma, acredito que existam pessoas nas igrejas evangélicas de modo geral que ainda não conhecem verdadeiramente Jesus. Então, não é o rótulo de igreja ou denominação que faz uma pessoa ser evangelizada ou não, e sim sua condição e desejo de conhecer Jesus. Inclusive, eu já conheci pastores que não tinham a certeza de sua salvação. Sendo assim, não é o fato de pertencer a uma denominação ou igreja que faz de você uma pessoa salva ou uma pessoa que não precisa ser evangelizada, mas é sua experiência pessoal com Jesus.

O senhor acha que houve um exagero na divulgação das informações?
Acredito que houve uma supervalorização de algo que nós não estamos dispostos a fazer. Nós não estamos dispostos a fazer um enfrentamento, não estamos dispostos a nos envolvermos dentro de locais pré-estabelecidos e pré-determinados, nunca intentamos isso. Não queremos tumultuar e esses termos que foram colocados nunca foram citados por nós. Nunca nos dispomos a tumultuar e atrapalhar. De alguma forma, isso foi cogitado, mas não queremos impedir, boicotar ou atrapalhar nada, em nenhum momento.

Jesus ensina "ide e pregai o Evangelho a toda criatura", mas não pela força e sim pelo Espírito de Deus. Esse é o ensinamento que rege as ações da Tenda da Esperança?
Sim. A Tenda da Esperança visa a cumprir o ide de Jesus, porque Jesus disse: "ide e ensinai a todas as nações". E o todo que Jesus colocou é realmente geral. Nós devemos pregar e ensinar o Evangelho a toda criatura, independente da sua posição e credo religioso. E a conversão não é algo que acontece por força; a conversão é o agir do Espírito Santo dentro da pessoa. A Bíblia diz que o Espírito Santo é quem convence o homem do pecado, da justiça e do juízo. Porém, a Bíblia diz também que a fé vem pelo ouvir. As pessoas precisam ouvir o Evangelho que salva; as pessoas precisam ouvir o Evangelho que Jesus mandou pregar, o Evangelho que incomoda. Eu acho que podemos falar também às igrejas. Muitas delas estão preocupadas em pregar um Evangelho que não muda, que não incomoda, um Evangelho light, água com açúcar. E Jesus não mandou pregar um Evangelho assim. Jesus mandou pregar um Evangelho que confronta, um Evangelho que muda verdadeiramente a vida das pessoas. Essas pessoas precisam ouvir o verdadeiro Evangelho que Jesus mandou que pregássemos.

Como essa questão está sendo resolvida com a liderança católica no Estado?
Acredito que não houve nenhum tipo de atrito entre os batistas e a liderança católica. Somos amigos dos católicos e também de outras denominações, de outros segmentos religiosos. Os batistas têm por preceitos praticar o amor, anunciar e viver a paz. Não houve qualquer tipo de afronta com as lideranças católicas. Em nenhum momento, fomos retaliados nem retaliamos nenhuma liderança católica. Sempre entendemos que a nossa função é promover a paz e não criamos esse tipo de constrangimento com ninguém, nem com padres, nem com bispos, com ninguém da liderança católica. Nossa posição de sermos receptivos e de procurarmos o outro sempre vai existir. Queremos conviver harmonicamente com essas lideranças. Entendemos que precisamos ter ações conjuntas no nosso Estado com lideranças interdenominacionais e autoridades religiosas, não só batistas, mas de outras religiões, inclusive os católicos, no sentido de fazermos diferença junto aos poderes constituídos, reivindicando mudanças e ações que promovam a vida. Estamos dispostos a caminhar nessa direção, contrariando o que está sendo anunciado por aí. Não há um clima de guerra ou revanchismo, nem tampouco estamos nos colocando como inimigos de católicos ou de quem quer que seja.

Fonte: Revista Comunhão

quinta-feira, 21 de abril de 2011

PÁSCOA SEM FANTASIAS

A Páscoa deveria ser, para a cristandade, a maior festa religiosa. Deveria ser mais comemorada que o Natal, o Ano Novo e, evidentemente, que Carnaval ou outra manifestação festiva de qualquer natureza. Nenhuma solenidade tem o mesmo significado que a Páscoa.

Infelizmente, as igrejas cristãs deram mais ênfase às festas religiosas de santos padroeiros que as de significado bíblico e permanente como a Páscoa. Além de diminuírem o seu valor, emprestaram-lhe símbolos e imagens que vieram do paganismo, como o coelho e os ovos de páscoa. Ainda mais, em virtude do mundo globalizado dirigido pelo capitalismo ganancioso, no qual o lucro financeiro é o objetivo primeiro de todos os empreendimentos, a ênfase da Páscoa está, assim como no Natal, nas vendas.

Infelizmente, as igrejas cristãs deram mais ênfase às festas religiosas de santos padroeiros que as de significado bíblico e permanente como a Páscoa. Além de diminuírem o seu valor, emprestaram-lhe símbolos e imagens que vieram do paganismo, como o coelho e os ovos de páscoa. Ainda mais, em virtude do mundo globalizado dirigido pelo capitalismo ganancioso, no qual o lucro financeiro é o objetivo primeiro de todos os empreendimentos, a ênfase da Páscoa está, assim como no Natal, nas vendas.

Hoje é praticamente impensável ter-se Páscoa sem ovos de chocolate e pão doce recheado de frutas cristalizadas ou chocolate, a já famosa "Colomba Pascal", (Pomba de Páscoa). Evidentemente, não há nenhum mal ou pecado em comer chocolate ou pão doce, a não ser a gula que nos leva a exagerar na dose. Quem não gosta de chocolate ou de pão recheado com uvas passas, mamão, cidra, figo, e outras iguarias cristalizadas? Qual criança que não se regala com ovinhos ou coelhinhos de chocolate?

O problema não está em uma comida típica, consagrada a um período do ano, mas sim na ênfase que se dá à comida, tirando o significado do que se pretende comemorar. Por exemplo, fazer da semana chamada santa, ou do período entre o carnaval e a Páscoa, chamado de Quaresma, um período no qual não se pode comer carne e tem-se que comer peixe, alegando que é pecado comer carne, é um absurdo posto que não tem respaldo bíblico.

Assim como não é pecado comer carne na sexta-feira da Paixão, não o é tampouco comer chocolate em formato de peixe, coelho, galinha, ovos, tablete ou qualquer outra forma. O pecado está em se substituir a pessoa de Jesus, como se faz no Natal, pelo Papai Noel, pelo presente de Natal, pela árvore ou qualquer outro símbolo natalino. Da mesma forma, é contra a Bíblia, contra a Palavra de Deus, contra a vontade de Deus ter-se Páscoa com símbolos pagãos, idólatras e consumistas. Vamos mostrar para as crianças e adultos, para o mundo todo, que nossa Páscoa significa a Ressurreição de Nosso Salvador Jesus Cristo, que se sacrificou na Cruz do Calvário por nós.

Vamos declarar: "Por mim morreu Jesus, cravado numa cruz, no monte do Calvário, por mim morreu Jesus. Por mim ressuscitou, e veio para luz, e um dia voltará e ao céu me levará." Os verdadeiros símbolos da Páscoa são: Jesus ressurreto, o túmulo vazio, a pedra do túmulo removida, os lençóis e panos no túmulo, as aparições de Jesus aos discípulos e sua ascensão aos céus.

Páscoa com coelhos e ovos fazem parte da fantasia e de uma tradição pagã e herege. A verdadeira Páscoa é Cristo vivo, reinando no nosso coração, no seio de nossa família e de nossa igreja, Prepare-se para uma verdadeira Páscoa.

Feliz Páscoa com o Ressuscitado.

Pastor Paulo Roberto Sória

segunda-feira, 11 de abril de 2011

QUANTAS HORAS DIÁRIAS PASSAMOS EM FRENTE A TV?

A mídia brasileira tem dono? No Brasil apenas 9 famílias detém o poder da grande mídia. Essa mídia está cumprindo seu papel social? Como os políticos utilizam a mídia para formar sua opinião?

A política e os políticos trabalham com um material especial, que é a credibilidade. A matéria prima da política é a credibilidade, um capital simbólico. Ora, a mídia é o meio de produção desse capital, tanto para construí-lo, como para destruí-lo (...).

No caso brasileiro, como vimos, 9 famílias detêm 90% dessa mídia. Como decorrência disso a censura também mudou de local: não é mais a mídia que é censurada, mas é a maioria da população que não pode exercer seu direito de dizer a palavra, expressar sua opinião, comunicar seu pensamento.

A média de horas diárias que o brasileiro fica diante da TV, por exemplo, é de 4 horas. Em algumas vilas periféricas de cidades brasileiras que pesquisamos, a média chega a 6 horas e para as crianças, que os pais têm medo de deixar na rua, chega a 9 horas diárias. Pois é com esse novo personagem que nós passamos hoje a nos relacionar, numa relação que Thompson (1998) chamou de quase interação midiada.

... Se examinarmos as características de tal personagem, a mídia, constatamos que ele é praticamente o único que fala; estabelece com os interlocutores uma comunicação vertical, de cima para baixo; não faz perguntas, apenas dá respostas. Já imaginaram o poder de tal personagem? Deve-se ver a comunicação, como diz Moscovici (2002, p. 105)

É possível estabelecer um paralelo entre a colonização do Brasil e a implantação da mídia eletrônica. Assim como nosso território foi loteado em capitanias hereditárias, doadas a determinadas famílias, do mesmo modo há hoje um loteamento da mídia, rádio e televisão entre algumas famílias privilegiadas. Há um estreito paralelismo entre esses dois coronelismos: um tradicional, que se definia pelo poder e autoridade dos proprietários das terras no controle político e outro moderno, que consiste na posse da mídia eletrônica a serviço dos donos do capital, uma vez que é estreita esta relação.

Na análise da democratização da comunicação, percebe-se também, com nitidez, um círculo vicioso. Por que a mídia não discute a mídia? Por que a mídia não educa para que possa ser entendida? Por que não discute a diferença entre mídia impressa e mídia eletrônica, com suas conseqüências, finalidades e responsabilidades? Por que a legislação sobre a mídia não é veiculada? Há uma espécie de burla da legislação que é clara sobre o papel educativo da mídia. Se a mídia não cumprir esse papel, dificilmente outro setor poderá fazê-lo: aqui está, então, uma espécie de círculo vicioso. Além do mais, a mídia influi poderosamente nas escolas, nas famílias e em todas as instâncias da sociedade. Se ela não for crítica dela mesma, não haverá maneira de chegarmos a uma verdadeira democracia na comunicação. Finalmente, a força da mídia não está apenas em construir a realidade, mas também em ocultar a realidade. É sintomático o alerta do sociólogo da Universidade de Coimbra, Boaventura S. Santos (1998) Durante muito tempo a alimentação foi escassa, causando penúria. Mas com a revolução agrícola a superprodução permitiu, principalmente nos países ricos, produzir uma abundância de alimentos. Mas não nos damos conta que muitos desses alimentos estão contaminados e envenenados por pesticidas, causando doenças e morte, como a peste das vacas loucas. Antes podíamos morrer de fome, mas hoje morremos por comer alimentos contaminados. O mesmo acontece com a informação. Historicamente, era escassa ou inexistente. Ainda hoje, em algumas ditaduras, não há informação, ou ela é escassa, de má qualidade. Nos países assim ditos democráticos, contudo, a informação se multiplicou, transborda por todas as partes. É como se fosse um quinto elemento além do ar, água, terra e fogo. A partir dessa constatação, começa-se a falar, hoje, na necessidade de uma “ecologia da informação” (RAMONET, 2006, p. 27), com o propósito de limpar essa informação da maré negra das mentiras (...)

O exercício da democracia e da cidadania supõe, pois, a participação das pessoas na construção da cidade que se quer. Quando falamos em isonomia referimo-nos à igualdade de todos perante a lei: todos os cidadãos têm os mesmos direitos e deveres. A antiga Grécia, de acordo com Chauí (1995), surge, na tentativa de enfatizar a importância do direito de participação na comunicação, a noção de isegoria, isto é, o direito de manifestar-se e de ser ouvido, o direito de expor e discutir em público opiniões sobre ações que a Cidade deve ou não realizar, no referente à Polis. Mas há algo mais: a Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948, em seu artigo 19 afirma: “Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; esse direito inclui o de não ser molestado por causa de suas opiniões, o de investigar e receber informações e opiniões e o de difundi-las, sem limitação de fronteiras, por qualquer meio de expressão” (ONU, 1948, art. 19). É importante acentuar que na enunciação acima estão presentes dois direitos: o direito à informação, isto é, de ser bem informado, sem parcialidade, e o de buscar a informação em qualquer lugar, livremente; mas há também outro direito, e esse o mais importante, que se pode chamar de direito à comunicação, isto é, de expressar nossa opinião, manifestar nosso pensamento, dizer nossa palavra, por qualquer meio de expressão. Numa pesquisa realizada entre estudantes de fim de ensino médio e de curso superior, 97% dos entrevistados desconheciam a existência desses dois direitos, da informação e da livre expressão (GUARESCHI e BIZ, 2005, capítulo 1). Isso vem confirmar a precariedade de nossas instituições educacionais e, concomitantemente,de nossa mídia, pois ela também tem uma tarefa educativa, como é expresso claramente na Constituição, Capítulo V, artigo 221: “A produção e programação das emissoras de rádio e televisão atenderão. REVISTA DEBATES, Porto Alegre, v.1, n.1, p. 6-25, jul.-dez. 2007. 13

...Introduzimos agora o problema que gostaríamos de discutir. A mídia está aí, exercendo seu poderio praticamente sem controle nenhum. Que se poderia fazer, para tornar óbvia essa situação? Acreditamos que, contra esse poder dominador e antidemocrático, faz-se urgente um novo poder, esse sim democrático e popular, das ONGs, das organizações de base, das associações populares: uma imprensa popular e alternativa, rádios e TVs comunitárias, uma mídia que seja do povo, feita pelo povo, para o povo. É o que se pode chamar de quinto poder, expressão criada por Roger Silverstone (2004).

A iniciativa mais ampla e eficiente que surgiu, a partir de 2004, como reação às práticas todo-poderosas da mídia, é a CAP (Comissão de Acompanhamento à Programação de Rádio e TV), com sua Campanha Quem financia a baixaria é contra a cidadania. Esse movimento se originou quase que de um clamor da sociedade civil contra o baixo nível de nossa mídia e a falta de ética nela presente. Com o apoio logístico da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, a CAP propõe um controle social (não censura) por parte da população em relação aos programas de televisão e um desestímulo ao financiamento privado e público dos programas que reiteradamente violam os direitos humanos. Por isso, os programas que recebem muitas reclamações passam a ser minuciosamente analisados pelos participantes da Campanha que, ao final, proferem um parecer explicitando as razões pelas quais o mesmo é indigitado como baixaria (...) A Campanha consolidou, nesses quatro anos de existência, um espaço público onde os cidadãos podem defender-se da programação de rádio e TV nos termos da Constituição Federal. Por meio de uma central telefônica ocorre o recebimento de denúncias e sugestões sobre a programação desses meios e um site na Internet contribui para divulgar todos os mecanismos de participação existentes. Os programas que mais recebem reclamações por parte do público passam a constar de uma lista... LEIA O ARTIGO NA INTEGRA. http://seer.ufrgs.br/debates/article/view/2505/1286

Os endereços disponíveis para fim de reclamação, além do e-mail principal,eticanatv@câmara.gov.br, são: via correio= Câmara dos Deputados, Comissão de DireitosHumanos, Sala 185- A- Brasília/ DF- CEP: 70169-970; por fax (61) 3216. 2170; por telefone (61) 3216. 6570; ou pelo site na Internet www.eticanatv.org.br

FONTE: http://seer.ufrgs.br/debates/article/view/2505/1286